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Facebook é acusado de fornecer acesso a dados de usuários para mais de 60 empresas

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Este primeiro semestre de 2018 está sendo um tanto turbulento para a rede social mais poderosa da atualidade. Em março Mark Zuckerberg foi a corte se desculpar pelo uso ilegal de dados no escândalo da Cambridge Analytica. Mas agora o New York Times acusa a empresa de fornecer o mesmo tipo de acesso a mais de 60 companhias da área de eletrônicos.

Entre os acusados estariam grandes nomes da indústria como a Apple, Amazon, BlackBerry, Microsoft e Samsung. Tudo começou a cerca de 10 anos quando os smartphones se tornaram cada vez mais populares. Com uma série de acordos o Facebook tinha como objetivo facilitar a interação dos usuários com a ferramenta através do telefone, indo além do aplicativo em si.

Assim se tornou possível compartilhar conteúdos, mandar mensagens e dar “likes” sem a necessidade de abrir a rede no navegador ou o aplicativo. E, de acordo com as acusações, para isso o Facebook abriu mão do acesso a ferramentas até então sigilosas. Desta maneira as empresas poderiam adquirir informações dos amigos de cada usuário sem uma autorização explícita, mesmo depois de declarar em 2011 que não voltariam a oferecer esse tipo de dados para proteger seus clientes.

A maior parte das parcerias ainda está em vigor, mas a rede social começou a quebrar os contratos em Abril deste ano uma vez que passaram a sofrer graves represálias e intensas fiscalizações após o escândalo de março. Na ocasião o Facebook afirmou que a brecha na segurança que permitiu o abuso de informações da Cambridge Analytica foi corrigida em 2015, mas em momento algum mencionou que o mesmo aconteceu com as companhias de telefones, muito menos se estas ainda possuíam este tipo de controle.

“Você talvez considere que o Facebook ou a empresa que criou o seu celular são confiáveis” Disse Serge Egelman, que trabalha na área de pesquisa de privacidade na Universidade Berkeley da Califórnia, focado na segurança de aplicativos móveis. “Mas o problema é que cada vez mais dados são gerados pelos dispositivos, e se puderem ser acessados pelos seus aplicativos podem gerar riscos sérios de segurança e privacidade.”

Em defesa o Facebook disse que os acordos foram necessários, e que quando os usuários acessam os serviços e aplicativos são responsáveis por permitir ou não o compartilhamento desses dados. Mas como apontado pelo New York Times, existem grande semelhanças entre esses acordos e o escândalo da Cambridge Analytica, em ambos os casos as regras de segurança da rede social serviram como base para que terceiros se apropriarem de informações dos usuários.

Durante a sessão no tribunal em Março o criador do Facebook enfatizou o que seria a prioridade de sua empresa. “Todo o conteúdo que você compartilha no Facebook te pertence. Você possui completo controle sobre quem pode ver e como podem ser compartilhados.”

Mas se os acordos seguiram como o jornal americano acusa, a empresa pode estar se contradizendo.

Sandy Parakilas, que liderou a área de publicidade e privacidade no Facebook durante 2012, disse em entrevista “Isso foi alertado como um problema de privacidade, é chocante que essa prática talvez ainda exista seis anos depois. E parece contradizer o testemunho do Facebook ao congresso de que todas as permissões para amigos foram desabilitados”. Parakilas deixou a empresa ainda em 2012 e hoje é um dos grandes críticos da rede.

Em resposta às acusações, um porta voz da Apple disse que a empresa dependia de acesso privado a dados do Facebook para permitir que os usuários postassem fotos na rede social sem abrir o aplicativo. Mas disse que os telefones não possuem mais esse acesso desde Setembro de 2017.

A Samsung recusou responder perguntas sobre a possibilidade de compartilhamento de dados pela sua parceria com o Facebook. A Amazon também preferiu não se pronunciar.

É possível que surjam novas informações sobre o caso dentro de alguns dias, quando os envolvidos de fato se pronunciarem a respeito da acusação. Mas é preciso cuidado, o que o Facebook considera como completo controle do usuário sobre a privacidade nem sempre significa uma completa compreensão sobre o que se permite ou não.

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Fonte/Autor do Conteúdo Postado

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