Sustentabilidade

FIDA apresenta ranking sobre a desigualdade de gênero e pobreza rural

FIDA apresenta ranking sobre a desigualdade de gênero e pobreza rural

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O Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA) mostra um panorama alarmante sobre as dificuldades enfrentadas pelas mulheres no mercado de trabalho, no campo e na vida familiar

 

O primeiro item da lista da desigualdade de gênero, apresentada pela FIDA, no último mês, mostra que três quartos da parcela mais pobre da população mundial vivem em zonas rurais. A maioria dos homens e mulheres vivendo no campo em situação de miséria depende da agricultura para ter renda e para se alimentar. As agricultoras têm tradicionalmente menos acesso do que os homens a insumos, serviços e infraestrutura e tecnologias de produção, conforme dados do Banco Mundial.

O trabalho no meio rural também é foco, já que as mulheres representam 43% da mão de obra no setor. Outro dado, é que em países em desenvolvimento na África, na Ásia e no Pacífico, as mulheres trabalham, por semana, em torno de 12 a 13 horas a mais do que os homens. No entanto, com frequência, suas contribuições não são valorizadas nem remuneradas.

A Mulheres chegam a gastar até 90% de sua renda com a família, enquanto, entre os homens, o gasto fica em torno de 30 a 40%. Colocar recursos nas mãos das mulheres aumenta o gasto familiar com a educação e a saúde das crianças. O empoderamento feminino é um dos meios mais eficazes para reduzir a má nutrição crônica infantil. As mulheres desempenham um papel vital tanto na produção quanto na preparação de comida para crianças durante seus mil primeiros dias de vida.

A mulheres rurais dependem principalmente da agricultura para sua subsistência. Apesar de seu papel fundamental no setor, as agricultoras têm menos chances de possuir ou administrar uma propriedade — ou de arrendar um pedaço de terra. Quando têm acesso à terra, as propriedades adquiridas são frequentemente de qualidade inferior ou tamanho reduzido. Nas zonas rurais, mulheres e meninas gastam até quatro horas por dia para coletar água e combustível para uso doméstico. O tempo poderia ser utilizado em atividades escolares ou de geração de renda.

Elas também representam dois terços dos 750 milhões de adultos sem habilidades básicas de leitura e escrita. No mundo, existem mais meninas do que meninos fora da escola. Cerca de 16 milhões de garotas passarão a vida inteira sem pisar numa sala de aula.

Com relação aos salários, em média, mulheres ganham 23% a menos do que os homens. Além disso, em todo o mundo, 35% das mulheres já sofreram, em algum momento das suas vidas, violência física e/ou sexual por um parceiro íntimo ou violência sexual por um agressor que não era seu parceiro.

Em metade dos países em desenvolvimento, pelo menos 30% das mulheres já sofreram violência física e/ou sexual por seu parceiro ao longo da vida. O índice é maior na Oceania, chegando a mais de 60% em alguns países. Em Bangladesh, a jovem Rina Begum, de 14 anos, teve que abandonar os estudos para se casar. Ela é vítima de agressões do marido, que enviou a menina de volta para os pais, na esperança de conseguir um dote maior.

Pesquisas comprovaram que meninas indígenas, adolescentes e jovens mulheres são mais vulneráveis a violência, agressões, exploração trabalhista e assédio do que outras meninas e mulheres.

Em países em desenvolvimento, pode chegar a níveis alarmantes a proporção de mulheres casadas que não participam das decisões sobre como a renda de seu próprio trabalho é utilizada. Enquanto no Camboja, na Colômbia e em Honduras, a taxa é de 2%, o índice chega a mais de 20% na República Democrática do Congo, na Libéria, em Serra Leoa e na Zâmbia. No Malauí, o valor estimado é de 42%. Uma em cada cinco meninas e mulheres — com idade de 15 a 49 anos, que já foram casadas ou estiveram em uma união — relatou ter sido submetida a violência física e/ou sexual por um parceiro íntimo ao longo dos últimos 12 meses. A estimativa é de pesquisas realizadas de 2005 a 2016 em 87 países, segundo relatório dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

A população mundial em idade economicamente ativa está dividida igualmente entre homens e mulheres. Contudo, para cada três homens em postos assalariados, há apenas duas mulheres na mesma situação. Para cada quatro homens donos de negócios, há apenas uma mulher na mesma posição.

Em 70 países — ou quase um terço de todos os países com parlamentos —, mulheres ocupam menos de 15% das cadeiras das câmaras do Legislativo — seja a câmara baixa ou a câmara única, no caso de países em que não há dois organismos em diferentes posições hierárquicas. O Brasil ocupa a 32ª posição em ranking latino-americano e caribenho de participação de mulheres no parlamento.

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