Meio Ambiente

Mais de 95% do lixo nas praias brasileiras é composto por plástico, indica estudo – 23/01/2018 – Ambiente

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Mais de 95% do lixo encontrado nas praias brasileiras composto por itens feitos de plstico, como garrafas, copos descartveis, canudos, cotonetes, embalagens de sorvete e redes de pesca.

Esta uma das principais concluses de um trabalho de monitoramento realizado desde 2012, em 12 delas, pelo Instituto Oceanogrfico da Universidade de So Paulo (IO-USP), em parceria com o Instituto Socioambiental dos Plsticos (Plastivida), uma associao que rene entidades e empresas do setor.

As pesquisas sobre a questo do lixo no mar ainda so escassas e incipientes, tanto no Brasil como no exterior. Mas, em termos mundiais, sabe-se que os resduos slidos nos oceanos possuem diversas provenincias.

Estima-se que 80% deles tenham origem terrestre. Entre as causas disso esto a gesto inadequada do lixo urbano e as atividades econmicas (indstria, comrcio e servios), porturias e de turismo. A populao tambm tem parte da responsabilidade pelo problema, devido principalmente destinao incorreta de seus resduos que, muitas vezes, so lanados deliberadamente na rua e nos rios, gerando a chamada poluio difusa.

Os 20% restantes tm origem nos prprios oceanos, gerados pelas atividades pesqueiras, mergulho recreativo, pesca submarina e turismo, como os cruzeiros, por exemplo.

Elisa Van Sluys Menck
No ranking dos pa
No ranking dos pases mais poluidores dos mares, o Brasil ocupa a 16 posio

No ranking dos pases mais poluidores dos mares, o Brasil ocupa a 16 posio, segundo um estudo realizado por pesquisadores americanos e divulgado em 2015.

Eles estimaram a quantidade de resduos slidos de origem terrestre que entram nos oceanos em pases costeiros de todo o mundo. Aqui, todos os anos so lanados nas praias entre 70 mil e 190 mil toneladas de materiais plsticos descartados.

Ainda de acordo com o mesmo levantamento, a China, a Indonsia e as Filipinas so as naes que mais jogam lixo nos oceanos, com at 3,5 milhes de toneladas de plsticos por ano. Esses trs pases tambm aparecem nos primeiros lugares de outro estudo, realizado pela ONG americana Ocean Conservancy. Ao lado da Tailndia e do Vietn, so responsveis pelo descarte de 60% dos resduos plsticos encontrados nos mares do mundo.

Divulgao
Privada tamb
Privada tambm foi encontrada na areia em uma das praias

RESULTADOS

O IO-USP e Plastivida realizaram o levantamento no litoral brasileiro para conhecer em mais detalhes a situao do Brasil.

Ele foi feito em seis praias do Estado de So Paulo (Ubatumirim, Boraceia, Itaguar, do Uma, Jureia e Ilha Comprida), trs da Bahia (Taquari, Jau e Imbassa) e trs de Alagoas (do Francs, Ipioca e do Toco). No total, foram realizadas seis coletas, inicialmente com intervalos de seis meses e depois de um ano.

“Dessas, as mais poludas so Boraceia e Itaguar, Praia do Francs e Taquari”, conta o bilogo Alexander Turra, do IO-USP, coordenador do trabalho.

Ele explica que as coletas foram realizadas seguindo um protocolo estabelecido pelo programa das Naes Unidas para o meio ambiente (ONU Meio Ambiente).

“Primeiro, ns limpamos uma rea de 500 metros da areia seca, onde a mar no alcana, e das dunas ou restinga, atrs da praia”, diz. “Depois, voltamos ao local de seis em seis em seis meses para recolher, identificar e quantificar o lixo nos 100 metros centrais dessa rea.”

O monitoramento constatou que, em So Paulo, o maior volume se acumula nas dunas ou restingas e proveniente das atividades de pesca. No Nordeste, o grosso do material encontrado na areia seca e vem do turismo.

A histria que levou assinatura do convnio entre o IO-USP e a Plastivida comeou em 2011, quando foi criado o Compromisso de Honolulu, para discutir a questo de resduos nos mares em nvel global.

Dirigido a governos, indstrias, organizaes no governamentais e demais interessados, o documento tem como objetivo servir como instrumento de gesto para a reduo da entrada de lixo nos oceanos e praias, bem como retirar o que j existe.

Elisa Van Sluys Menck
Levantamento foi feito em seis praias paulistas, tr
Levantamento foi feito em seis praias paulistas, trs baianas e trs alagoanas

Como consequncia desse documento, no mesmo ano, foi assinada a Declarao Global Conjunta da Indstria dos Plsticos, da qual a Plastivida signatria. Foi para implementar aqui esse compromisso mundial que a associao, como uma das entidades representantes da cadeia produtiva dos plsticos no pas, e o IO-USP assinaram o convnio em 2012. A meta se capacitar e desenvolver estudos cientficos para embasar as discusses sobre o tema no Brasil.

Desde ento, alm do levantamento do resduos nas praias, a parceria resultou em vrios outros trabalhos. “O convnio um arranjo inovador, que junta a universidade com a iniciativa privada para resolver questes importantes para a sociedade”, diz Turra. “Ele visa entender o problema, ver onde ele mais crtico e verificar se as medidas para combater o lixo no mar esto surtindo efeito.”

Alm disso, foi criado o Frum Setorial dos Plsticos Online – Por Um Mar Limpo, para ampliar os debates sobre os caminhos e as alternativas de mitigao para o problema dos resduos nas praias e nos oceanos.

Trata-se de uma plataforma online, que rene todas as informaes e o conhecimento obtidos desde 2012, alm das propostas de educao ambiental, preveno, coleta e reciclagem. Desse Frum resultou a Declarao de Intenes, um documento que estabelece os compromissos da cadeia produtiva dos plsticos no Brasil sobre o tema.

COMBATENDO O PROBLEMA

Os participantes do Frum pretendem pesquisar alternativas para que o setor industrial e a populao possam combater o lixo no mar.

“O Instituto Oceanogrfico um moderador desse dilogo”, diz Turra. “Ns auxiliamos as empresas a canalizarem as informaes cientficas corretas e a realizar as melhores aes concretas possveis.”

De acordo com ele, os principais objetivos do IO-USP nesses projetos so a educao ambiental em relao ao consumo consciente e destinao correta do material descartado. A ideia que, bem informadas sobre o tema, as pessoas possam ajudar a manter os oceanos e as praias limpas.

Segundo o presidente da Plastivida, Miguel Bahiense, o conhecimento gerado durante os anos de existncia da parceria de que se trata de um problema que s ser resolvido em conjunto pelos vrios setores relacionados ao problema.

“Estamos realizando um trabalho de educao, informao e coordenao de aes como campanhas de descarte adequado, conscientizao, entre outras, que vo demandar o envolvimento compartilhado de toda a sociedade –poder pblico, indstria de diversos setores, varejo e a populao de forma geral–, para o mesmo fim, que a preservao dos oceanos e do meio ambiente”, diz.

Lab Manejo
Pesquisador defende trabalho conjunto entre v
Pesquisador defende trabalho conjunto entre vrios setores para combater o problema

“Todo o estudo reunido nos fez entender que a questo do lixo nos mares vai alm dos municpios costeiros”, avalia Turra.

“Ela envolve todas as cidades, Estados, a gesto dos resduos slidos, o saneamento bsico, a educao ambiental e toda uma cultura social que deve ser estruturada. Acreditamos que o Frum ser um marco transformador da sociedade, por envolver diferentes setores na busca do desenvolvimento sustentvel.”

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